De que jeito vc me vê...de que jeito vc prefere...de que jeito eu sou...de que jeito fantasio...de que jeito negocio...de que jeito eu prefiro...de que jeito...ajeito...o jeito...
"Ei-lo, as luzes se apagam, mas não porque a existência não-é, mas sim a verdade que ele é, somente ele é, ele é o que é, e disso muitos o veem tal como ele é. Ser-ai, projetado e colado ao resto de sua vida, às suas experiências, as suas demandas e comandas, ao que o mundo lhe oferece e o que ele se oferece enquanto mundo, possibilidades na frente, história atrás"
Seu toque foi sutil e diria que bem dado. Queria dizer mais sobre você, agora. Tenho a sensação de que agora é um tempo de pressa. A pressa é comum á nós. Talvez, à nossa semelhança Ela vem carregada de sentido o tempo rápido o tempo calado o tempo obstinado com esse sentido é possível que seus métodos sejam exterminados pelo tempo porque a pressa é antes de qualquer outra coisa movimento acelerado visível ou camuflado é um risco para os que o seguem eu quase me convenci de que movimento não está ligado á dança apesar do meu corpo, minha vida gritarem para não me entregar á essa idéia com uma dança tão cheia de pressa e de sentido o movimento é óbvio o risco é óbvio o mesmo, talvez, diria sobre você.
Mas não só de pressa de você de partes mas do descortinar que você sugeriu no seu álbum de COISAS MIÚDAS... Já falo do lento de-vagar em você
De provocadores enfurecidos e embriagados incompreendidos
Que ao cuspir suas cachaças ateiam fogo ao chão, aumentando a temperatura da terra e fazendo com que meus pés inchados criem borbulhas de pus incuráveis e eu no ápice do grito de dor, com os cabelos pro alto e rasgando a camisa ao meio (única peça que, ainda, não tinha queimado), e, agora, já desistente de tentar qualquer Sobrevivência, entrego o bem terreno, minha língua, minha linguagem, fonte receptora e cuspidora de sensações. Meu melhor pra uns, meu ridículo pra outros. Ele que me contou vários segredos meus, ele que auto-proclama-se, está nu. Nu ficou mais forte. Com nadadeiras traseiras e dianteiras (ou seriam asas?!). Transformou-se. Tornou-se peixe, ave, inseto, mutável. Aprendeu a nadar se queimando e agora costuma aceitar convites dos que com ele compartilham das transformações do ser.
As sensações conseqüentes de um mundo violento, racista, individualista e exacerbado de imposições mostraram-me o confronto pela inadequação. Seja crença, cor, raça, ideal ou uma simples forma de olhar o mundo, trazendo a sensação de estar vivendo “Em um Outro Lugar ou Em um Não Lugar”. Por isso, fez-se necessário acreditar “Em um Outro Lugar”; orgânico, harmônico, flexível e que o conjunto de crenças, costumes e instituições não impeçam, limitem ou impossibilitem às pessoas criarem, questionarem, envolver-se e se entregarem. Pelo contrário, acumularemos conhecimento e vivência para uma formação processual de identidade.
É claro que esse lugar é imaginário e abstrato, o que não tira o seu valor real. Assim como são reais as sensações, emoções, estranhamentos ou familiaridades que identificamos na apreciação de exposições, mostras, leituras e infinitas trocas que temos no decorrer da vida. Por acreditar que o abstrato é real e que podemos mostrar nossas emoções como tal, o lugar comum começa a ser pensado, revisto e revisitado com a construção cênica de: “Em um Outro Lugar ou Em um Não Lugar”.