quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Será o homem desse Lugar?

O rio e a casinha

Entre o rio e a casinha

Existe uma montanha

Dizem que existe um homem lá

Mas, ninguém nunca o viu

A casinha não tem teto

É sem teto

E tem uma porta fechada

E janelas abertas

O rio é estreito

A montanha é alta

A casinha fica no alto da montanha

Quem sai da casinha cai no rio

Quem sai do rio

Tem que subir a montanha

Pra chegar à casinha

Dizem que vive um homem na montanha que fica entre

O rio e a casinha

Dizem que no rio tem peixes

Mas, eu nunca vi

Engraçado, intrigante é o fato

Que durante essa apreciação

Havia um homem ao meu lado

Ele tem uma cicatriz no polegar direito

E um peixe enorme

Tatuado no braço esquerdo

Um peixe com escamas e nadadeiras

Todo colorido

Com um olho verde

E outro como fogo, um sol

Penso que esse homem é o que vive na montanha

Entre o rio e a casinha

E ruído de curiosidade

Fiquei em saber o que causou

A sua cicatriz

Quem é esse homem?







Esse mar de desconhecidas propostas


De provocadores enfurecidos e embriagados incompreendidos



Que ao cuspir suas cachaças ateiam fogo ao chão, aumentando a temperatura da terra e fazendo com que meus pés inchados criem borbulhas de pus incuráveis e eu no ápice do grito de dor, com os cabelos pro alto e rasgando a camisa ao meio (única peça que, ainda, não tinha queimado), e, agora, já desistente de tentar qualquer Sobrevivência, entrego o bem terreno, minha língua, minha linguagem, fonte receptora e cuspidora de sensações. Meu melhor pra uns, meu ridículo pra outros. Ele que me contou vários segredos meus, ele que auto-proclama-se, está nu. Nu ficou mais forte. Com nadadeiras traseiras e dianteiras (ou seriam asas?!). Transformou-se. Tornou-se peixe, ave, inseto, mutável. Aprendeu a nadar se queimando e agora costuma aceitar convites dos que com ele compartilham das transformações do ser.

Em um Outro Lugar ou Em um Não Lugar


As sensações conseqüentes de um mundo violento, racista, individualista e exacerbado de imposições mostraram-me o confronto pela inadequação. Seja crença, cor, raça, ideal ou uma simples forma de olhar o mundo, trazendo a sensação de estar vivendo “Em um Outro Lugar ou Em um Não Lugar”. Por isso, fez-se necessário acreditar “Em um Outro Lugar”; orgânico, harmônico, flexível e que o conjunto de crenças, costumes e instituições não impeçam, limitem ou impossibilitem às pessoas criarem, questionarem, envolver-se e se entregarem. Pelo contrário, acumularemos conhecimento e vivência para uma formação processual de identidade.

É claro que esse lugar é imaginário e abstrato, o que não tira o seu valor real. Assim como são reais as sensações, emoções, estranhamentos ou familiaridades que identificamos na apreciação de exposições, mostras, leituras e infinitas trocas que temos no decorrer da vida. Por acreditar que o abstrato é real e que podemos mostrar nossas emoções como tal, o lugar comum começa a ser pensado, revisto e revisitado com a construção cênica de: “Em um Outro Lugar ou Em um Não Lugar”.