sexta-feira, 2 de outubro de 2009

CENA...RIO



O gosto pela movimentação me fez dançar e dançar me fez movimentar-me mais do realmente eu gostaria.

O tempo está incubido de ensinar-me maneiras de relacionar-me.

Nunca dancei por tanto tempo e sinto que isso não pára. Não vejo como num palco. Cansei. Não me interprete mal. Só, cansei.

Vou beber uma água e volto recomposto.

lugares - a gente brinca de vários jeitos...






De que jeito vc me vê...de que jeito vc prefere...de que jeito eu sou...de que jeito fantasio...de que jeito negocio...de que jeito eu prefiro...de que jeito...ajeito...o jeito...

Ajeito o jeito




"Ei-lo, as luzes se apagam, mas não porque a existência não-é, mas sim a verdade que ele é, somente ele é, ele é o que é, e disso muitos o veem tal como ele é. Ser-ai, projetado e colado ao resto de sua vida, às suas experiências, as suas demandas e comandas, ao que o mundo lhe oferece e o que ele se oferece enquanto mundo, possibilidades na frente, história atrás"

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

É senhor!

É senhor!

Que me instiga ao desejo do próximo

O momento

O lugar

O sexo

O afeto

O crescimento daquilo que parece explodir, mas não explode.

É pra você imaginar

E querer possuir

Pessoa

Passivo de ouvir palavras de alguém que te quer

Mesmo na angústia do seu esquivar

Tentarei talvez mais algumas vezes

Isso é um “me permitirei mais vezes”

Faço questão de que seja mais próximo de mim

Aliás

Bem mais do que foi possível até agora

E não comerei cru pela rapidez

Porque minha pressa esta mais ligada ao movimento acelerado do amor

Queria dizer mais sobre você agora

Seu toque foi sutil e diria que bem dado.
Queria dizer mais sobre você, agora.
Tenho a sensação de que agora é um tempo de pressa.
A pressa é comum á nós.
Talvez, à nossa semelhança
Ela vem carregada de sentido
o tempo rápido
o tempo calado
o tempo obstinado
com esse sentido é possível que seus métodos sejam exterminados pelo tempo
porque a pressa é antes de qualquer outra coisa
movimento acelerado
visível ou camuflado
é um risco para os que o seguem
eu quase me convenci de que movimento não está ligado á dança
apesar do meu corpo, minha vida gritarem para não me entregar á essa idéia
com uma dança tão cheia de pressa e de sentido
o movimento é óbvio
o risco é óbvio
o mesmo, talvez, diria sobre você.

Mas não só de pressa
de você
de partes
mas do descortinar que você sugeriu
no seu álbum de COISAS MIÚDAS...

falo
do lento
de-vagar
em você

Diálogo

Diálogo um

Eu – oi

O outro – olá

Eu – quanto tempo?

O outro – pois é! Ainda-perto?

Eu – sim. E você o que tem feito?

O outro – nada demais.

Eu – diga uma coisa que seja.

O outro – nada mesmo. Peguei chuva na hora do almoço.

Eu - muita chuva ou pouca?

O outro – pouca, mas eu odeio mesmo assim.

Eu – odeia se molhar ou ser molhado?

O outro – depende do contexto. Mas em geral na rua nenhuma das duas coisas.

Eu – então você leva o contexto em consideração?

O outro – sempre

Eu – já vivemos algum contexto?

O outro – acho que não

Eu – me interesso por isso. você tem algum interesse pra que aconteça ou é um envolvimento inerte?

O outro – depende de muitos fatores

Eu – posso provocar o dialogo mais um pouco?

O outro – pode. Dependo de estímulos

Eu – pode me ajudar indicando um lugar? Pode ser corpo, alma ou espírito.

O outro – cintura, mamilos, suvaco, braços e mãos. Nessa ordem.




quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Será o homem desse Lugar?

O rio e a casinha

Entre o rio e a casinha

Existe uma montanha

Dizem que existe um homem lá

Mas, ninguém nunca o viu

A casinha não tem teto

É sem teto

E tem uma porta fechada

E janelas abertas

O rio é estreito

A montanha é alta

A casinha fica no alto da montanha

Quem sai da casinha cai no rio

Quem sai do rio

Tem que subir a montanha

Pra chegar à casinha

Dizem que vive um homem na montanha que fica entre

O rio e a casinha

Dizem que no rio tem peixes

Mas, eu nunca vi

Engraçado, intrigante é o fato

Que durante essa apreciação

Havia um homem ao meu lado

Ele tem uma cicatriz no polegar direito

E um peixe enorme

Tatuado no braço esquerdo

Um peixe com escamas e nadadeiras

Todo colorido

Com um olho verde

E outro como fogo, um sol

Penso que esse homem é o que vive na montanha

Entre o rio e a casinha

E ruído de curiosidade

Fiquei em saber o que causou

A sua cicatriz

Quem é esse homem?







Esse mar de desconhecidas propostas


De provocadores enfurecidos e embriagados incompreendidos



Que ao cuspir suas cachaças ateiam fogo ao chão, aumentando a temperatura da terra e fazendo com que meus pés inchados criem borbulhas de pus incuráveis e eu no ápice do grito de dor, com os cabelos pro alto e rasgando a camisa ao meio (única peça que, ainda, não tinha queimado), e, agora, já desistente de tentar qualquer Sobrevivência, entrego o bem terreno, minha língua, minha linguagem, fonte receptora e cuspidora de sensações. Meu melhor pra uns, meu ridículo pra outros. Ele que me contou vários segredos meus, ele que auto-proclama-se, está nu. Nu ficou mais forte. Com nadadeiras traseiras e dianteiras (ou seriam asas?!). Transformou-se. Tornou-se peixe, ave, inseto, mutável. Aprendeu a nadar se queimando e agora costuma aceitar convites dos que com ele compartilham das transformações do ser.

Em um Outro Lugar ou Em um Não Lugar


As sensações conseqüentes de um mundo violento, racista, individualista e exacerbado de imposições mostraram-me o confronto pela inadequação. Seja crença, cor, raça, ideal ou uma simples forma de olhar o mundo, trazendo a sensação de estar vivendo “Em um Outro Lugar ou Em um Não Lugar”. Por isso, fez-se necessário acreditar “Em um Outro Lugar”; orgânico, harmônico, flexível e que o conjunto de crenças, costumes e instituições não impeçam, limitem ou impossibilitem às pessoas criarem, questionarem, envolver-se e se entregarem. Pelo contrário, acumularemos conhecimento e vivência para uma formação processual de identidade.

É claro que esse lugar é imaginário e abstrato, o que não tira o seu valor real. Assim como são reais as sensações, emoções, estranhamentos ou familiaridades que identificamos na apreciação de exposições, mostras, leituras e infinitas trocas que temos no decorrer da vida. Por acreditar que o abstrato é real e que podemos mostrar nossas emoções como tal, o lugar comum começa a ser pensado, revisto e revisitado com a construção cênica de: “Em um Outro Lugar ou Em um Não Lugar”.