sábado, 28 de janeiro de 2012

CRIAÇÃO - considerações ao artista do artista

Compreender o fenômeno da criação em dança contemporânea através da percepção do bailarino que se propõe a experimentação é ousado, pessoalmente exigente e desafiador. Pensar a criação ou o processo criativo a partir de experimentações ou pesquisa abre um leque de abordagens que podem acrescentar ao produto final ou processo/produto. Gosto de um estudo sobre a dança desenvolvido a partir desse corpo contemporâneo que vive numa dada realidade e se propõe dançar e experimentar novas maneiras de movimentar-se a nível de relação (semelhança) e relacionamento (criar vínculos, adquirir conhecimento) seja com o corpo, tempo, espaço, pensamento, etc. Pensar uma arte que está ligada de modo renitente a um artista que se expressa pessoalmente nela e a um observador que se deixa impressionar pessoalmente por ela, como diz Hans Belting, é entender que a arte é secretamente rival da técnica, cujo sentido precípuo consiste em que ela funciona ao ser usada e cujas informações, contudo não dizem respeito a um criador, mas a um usuário. Considerar a complexidade da criação na dança traz consigo outros apontamentos como a influência da tecnologia no corpo ou experiência do além corpo biológico. Exemplo disso é o I Congresso Internacional de Estéticas Tecnológicas da PUC-SP estruturado em palestras, mesas redondas que dentre outros assuntos, aborda a ação conjunta de fatores tecnológicos que constituem uma força perturbadora que problematiza os significados do corpo e o transforma em um nó de múltiplos investimentos e investigações. Permitir-se a um tempo de análise ou de experiência num processo criativo nessa tal "contemporaneidade dos tempos" acredito ser acrescenta-dor onde o cria-dor usa de uma espécie de "filtro pessoal" para o que apresentará e nesse momento é possível até mesmo permitir que as pessoas tenham acesso ao processo ou ao "filtro", considerando que alguns artistas podem até usar da participação do público para tal. Com a percepção da existência de um processo, tudo se torna possibilidade e o crescimento fica mais claro, nítido no conhecimento de sua identidade como processo, dentro dos paradoxos existentes na complexidade humana. Helena Katz disse uma vez que a dança contemporânea acontece num pacto entre palco e platéia. UM FLUXO QUE ATRAVESSA A TODOS OS ENVOLVIDOS COM GRAUS DIFERENCIADOS DE RESPONSABILIDADE COMPARTILHADA. Talvez, seja essa responsabilidade compartilhada que faz com que o processo criativo muitas vezes tenha a participação de outras pessoas, lugares, culturas, etc. É importante num processo criativo tais considerações e ao mesmo tempo exercícios e discussões de análise da veracidade prática dos conceitos relativos ao processo que tal criador se propõe e suas alternativas no entendimento que conduz á auto-expressividade,auto-aceitação e auto-domínio na movimentação do corpo dançante ou na movimentação do ser.

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