sábado, 30 de março de 2013

Peles Pele

Me pego repetidamente
Num relance de sensações do que significa ver com os sentidos
Percebo coisas que só a pele pode ver
Outras que só os olhos podem sentir

Mas para que isso aconteça é preciso estar disponível
A qualquer momento
Em um outro lugar

Nos momentos mais que mágicos
Peles
se tornam
Pele

Diamantina

Guerra e força
O lado ativo
Brusco, grosso, perigoso

É tranquilinha
Me passa paz
Delicadeza
De um bom viver

Dia mantina
Lugar de sonhos
De pedras brutas
De cores brancas

São as belas brutas rochas diamantinas
Que mostram um pouco mais de mim
O meu outro

Meu convíveo antagônico
Vi e senti
Forte é o interior
Fora de mim

Estou em Diamantina
Sou Diamantina 

sexta-feira, 29 de março de 2013

Uga Uga

Fico na angústia da mais primitiva ansiedade de saber da nossa identidade enquanto “nem amigos e nem amantes”...

Brinco de papéis

Brinco de desenho
Rasga fácil
Cabe rascunho de desenho
Lembro notícias do vovô
Branco é pra mim seu presente. Rasga fácil. Cabe rascunho.
É pra ele, seu passado pontuado
Brinco branco
Seu presente brinco de desenho. Uma mensagem, quase ameaça.
Tem parábola, tem prosa, mas o fim é sempre assim.
Brinco e tu? Brincas
Toco e tu? Tocas
Canto e tu cantais
Olha esses papéis, essas lembranças, essas notícias
Papéis registram minha exposição
Lembro notícias do vovô
Papéis
Digam-lhe que brinquei
E até dancei
Papéis Digam-lhe que ele não tinha razão
Todos sabiam, mas, não queriam brincar
Os que mais amo já dançam.
Deixo-lhes os papéis para que vejam e também para os deixar
Papéis até onde vocês foram sórdidos?
Contem-nos
Papéis de rascunho fácil
De desenho
De... Brinco.

Diluiu

Perdeu-se na figura arquitetônica que organiza o ser
Numa assimetria que tem seu início na anomia de uma identidade que rompe em liberdade em tempos retidos
Diluiu
O sentido do concreto 
Fizeram-se ondas que posso tocar, escorregar e olhar num imaginário ondular
Ao que se permite, um manifesto dos sentidos convida no risco que corre arrisco.
O desconhecido de uma identidade que alcançou autonomia e tem como aliada a liberdade que desenha mais um risco em busca de conhecer, não como, objeto obstinado a revelação diluída do concreto.

Café com letras, vinho e queijo

Da taça que FINCA e do tomate que é seco para o pão de queijo (MG) o convívio com aqueles que preferem Brioche (De queijo Brie, do norte francês)
Ao amanhecer um brinde com suco de sabor á gosto
Amanhece o início de novos jogos e o fim do tomate seco da noite anterior
Foi a noite e foi você
Culpados pela nossa sedução, porque a sedução nunca sentiu culpa
Culpa sinto eu senti você, algumas outras, poucas pessoas, talvez.
É como o medo de se apaixonar, nem todo mundo tem
É como a chave da porta esquecida longe, nem todo mundo esquece
É como o homem que entregou a senha para o teatro, nem todo mundo esquece.

Meu canto

Meu desatino não vai passar, meu desafino
Ativo meu desafino pois sou fino, de ressonâncias agudas, inovadoramente volumosa, longa e de Permanência inquestionável
Desafino-me
Me desatino

O encanto da falta

Busquei no encanto da falta entender a falta de encanto na busca. Assim, encantei-me com o desencanto e conheci as conseqüências de conhecer o encontro e o desencontro. Munido de algumas defesas que pela fragilidade do ser traduzia o quanto estava sem guarda. Se me valesse mais dos sistemas da física ou química, talvez, me precavesse sem pré-ceder. A passagem enfatiza-se fato a cada momento. Seja ele longo, curto, finito ou infinito. Em todos os sentidos das palavras Aqui escritas, declamadas, dançadas, musicadas, trocadas, subentendidas, Aqui só e só aqui sentidas.

Amanhã

Disponível pela manhã
À tarde, insaciável.
À noite, inalcançável.
E pela madrugada ir-reconhecível.
Tens o privilégio da escolha

Caminhar

Estamos em direções transversais, já passamos do ponto de encontro, estamos quase nas extremidades. Parece que gostamos de descobrir o caminho, de uma pureza de intenção, de uma brincadeira de emoção. Sentimentos vãos. Vazio de insatisfações. Transversos e extremos. Fuga do ponto de encontro.
Penso nas motivações, antes, não voltaria
Penso na pureza de intenção, na brincadeira de emoção do retorno, cheio dos mistérios que existem em torno do revisitar
Estamos em direções transversais, já passamos do ponto de encontro
Parece que gostamos de descobrir o caminho
De nos encontrar no caminho

Miau

Leiloem-me
Quem der mais me leva, se for mais que o tanto que me dei.
Já que querem, ganhem às minhas custas, comam com o meu desgaste, bebam do meu suor
Já que querem, mimam os gatos
Meus gatos!
Eles arranham qualquer um que se aproxima bruscamente
Comida deixada em casa e sobre a mesa eles não comem
Isso, não porque estão sem fome. Meus gatos não se desagradam da vida em absoluto
Obsoletos, incertos, charmosos em presença e/ou com presentes, dos quais, ora indiferentes ou alheios
Já que querem, tentem entrar no livro de recordes, se existir um
Se é que alguém tenha sobrevivido a um arranhão do olhar de um só gato meu
Façam leilões, afinal, um só gato meu precisa se distrair na minha presença
Porque comigo... eu não gosto de animais
Já que querem, leiloem os meus gatos
Leiloem-me
Antes, cortem as minhas unhas e arranquem os meus olhos.

Morro da saudade

Subo e desço
Fortaleço músculos sem fortalecer aquele da saudade
Aquele que é vital
Quase morro no morro
Ofegante te atendo por um instante de saudade
Na subida e na descida
Quase morro

Espanha que me tomaste

Meus céus!!! Onde estão?!
Espanha que me tomaste e me embebedaste e me mostrastes o morro onde morro de saudades!
E "bebo do" de esperança entre o vazio das certezas chamadas incertas verdades evacuadas por mim, resta-me o morro, subir e/ou descê-lo quantas vezes necessário se tornar em mim.
Repetida saudade traduzida na metáfora do morro alto e irrequieto.
Meu morro, morro meu, escapa-me os pés do teu chão por um inexistente céu e uma espanha que espanta qualquer bêbado como eu do seu chão.
Voltarei ao inicio de tudo pra rever as primeiras pegadas mesmo que tenha que me arriscar á torcer o pé direito novamente.

Palácio das Artes

As luzes e as águas se misturam com o azul que se refletem nos raios assimétricos do concreto branco com vidros presos por metais.
É muito material-matéria para tamanho prédio. É muita informação para só um prédio. Que encerra suas atividades porque precisa de janeiro estar em férias e, quem sabe, construir com madeira pra conhecer cupins ao invés de ferrugens e descobrir que cupins não entram em toda e qualquer madeira e que palácio sempre teve festas com anjos traquineiros, sejam eles de que matérias forem, principalmente, aqueles que as artes se encontram, aqueles conhecidos como palácio das artes.
Não palácio das matérias ou artes de palácios.
São artes de madeira, de luzes, águas, raios, assimetria, concreto, vidro, metais, tamanho, informação, atividade, reflexo, ferrugem e de cupins.
 “Com carinho escrevo ao Palácio das Artes. Lugar que tanto amo”.

Ela

Eu gosto dela em tamanha distância, mas, não gosto de tamanha distância dela

Premiação

No presente de quem recebe ela se torna um presente de valor inestimável.

Dança da pressa

As pessoas estão com pressa, eu estou sem
Eu estou com pressa, as pessoas estão sem
Temos pressas diferentes, sentidos diferentes.
Faz parte da diversidade, não só a diferença
Todos são pessoas, ao menos os que trato aqui
Todos sentem pressa, ao menos os que trato aqui
Existe o desigual no meio de tantas diferenças
Existe a arte no meio, nas margens. Que peca se exalta a diferença e limita se o foco obstinado for o igual No mundo onde ser igual aumenta a concorrência, o grande lance é ter diferencial
Isso é pra poucos iguais
Essa pressa eu reconheço em mim, sofro sua pressão todos os dias
Só não sei se tenho pressa ou se respondo á sua pressão como espasmos traduzidos
Poderia considerar só a minha etnia, ela é diferente das outras, pra poucos iguais, isso gera menos concorrência ou uma tecnologia que conecta todas as pessoas do mundo numa mesma Linguagem
Universalizar as culturas, isso combate o dês-igual
Mas, nenhuma dessas pressas tenho
Isso, não reconheço em mim
Não vou exterminar da face da terra as outras etnias, já tentaram fazê-lo
Isso, não reconheço em mim
Não vou diminuir a desigualdade, os governos tentam fazê-lo
Tenho pressa em não ter tanta pressa
Esse lugar não reconheço em mim
Não confunda essas palavras com inaptidão para o cunho social, consideração humana, participação política ou fazer do nosso lugar comum possível de transitar, trocar, respeitar e conviver.
Não ter tanta pressa limita com o foco obstinado
Deslocado do igual para ter diferencial
As coisas que comecei falando são tão importantes quanto as do meio e do final
Hitler, Mussolini, Lula, Fernando Collor, Mãe Diná , Stanisláwisk, Montaigne
A pressa era comum á todos, á semelhança deles
Ela vem carregada de sentido
O tempo rápido, perdido, que não se pode permitir perdê-lo
O tempo calado, obstinado
Com esse sentido seus métodos recebem significados, evoluem para signos, chegando em discursos
Com esse sentido seus métodos podem se diluir no tempo evoluírem para signos chegando em discursos Nulos
Com esse sentido é possível que seus métodos sejam exterminados pelo tempo, é possível que o positivismo encarado por eles no início tenha se tornado negativismo, porque a pressa é antes de ser outra coisa: Movimento acelerado, visível ou camuflado 
O movimento da pressa é um risco para os que o seguem
Movimento intenso de aniquilação do que vemos nas representações que fazemos do real

Ela é linda

Eu estava sentado
Minto
Eu estava de pés no balcão encantado com o lugar
Pedi um chopp, acendi o cigarro e acreditava...
Minto
Lembrando-me do momento, eu nem pensava em acreditar, eu estava nostálgico!
Mentira
Eu precisava estar ali.
Minto
Novamente eu acho, hoje, que precisava
Eu estava envolvido
Ela é linda
Não dá pra explicar
Sobre ela eu minto, as palavras mentem sobre ela ou subvertem a verdade ou a mentira
Se você ouvir um som, algo que o transporte e que te faça perceber o lugar onde está agora como nunca foi perceptível pra você, talvez isso explique o que estou tentando explicar
Talvez isso te faça mentir pra você
Mentira
Ninguém gosta de mentir pra sí
Então, talvez você minta pra mim
Pode acontecer...
Mas, como eu estava dizendo:
Eu estava sentado, quero dizer, de pés no balcão
Aff!
Será que eu estava sentado? Será que ela realmente é linda? Será que é ela?
Eu enxergo mas não tenho certeza
Eu que pensei que isso fosse acontecer daqui a muitos anos
Você ri, não é?! Pode rir, porque isso acontecer aos 25 anos é pra rir
É verdade
Só tem 25 anos que minto pra você
Você ri não é?! Pode rir...
Eu agradeço se você tirar o fone do ouvido e me ouvir! 
Eu minto sobre ela e você mente que me ouve
Me conta o que você esta ouvindo!?

Céu da boca

Ver o céu da boca
Da sua boca
Ver os gestos irregulares numa considerada noite regular
Surpreender-me com seus gestos
Assustar-me e reconhecer-me
Perceber que meu corpo sorriu mais que o seu corpo e conseguiu ver por causa do céu da sua boca
Eu vi Boca
Coração Azul
Ramo com flor e folhas
E vi também outros ramos
Uma árvore ainda criança que com corpo de adulto ou corpo grande gargalhava
Como aquela gargalhada gostosa da criança que quase deixa á mostra o céu da boca
Poderia ser diferente se ela, você, a boca e o céu não estivessem lá
Mesmo que á luz de velas
Mesmo pelo fato de todos estarem lá

Mel-odioso

Eu nunca quis ser mel-odioso
Ao olhar pra trás percebi que ao menos em quase tudo havia uma melodia composta onde eu não acrescentei nenhuma nota nova, talvez, algumas ressonâncias
Pensei que isso aconteceu pelo fato de não ter estudado música e percebi que os músicos também não acrescentaram novas notas
Só ao dançar fora da música me senti compondo música
Vi nota nova
Entendi que a música são notas também e que a dança também é música
Descobri-me músico
Descobri-me bailarino.

Ser o quê?

Poucas vezes esperei o final para ser feliz

Paro e danço

Deparo-me com fronteiras que vão além do corpo
Falo sobre o que existe entre a minha ignorância, estupidez, incompreensão verso
Reverência, generosidade e benevolência.
Danço a enumeração dos inconscientes ou danço as singularidades?
Com fronteiras eu danço.

Eu e ele

Ele entrou nos meus dias
Não me lembro ou não quero me lembrar se eu abri a porta ou se ele entrou pelo teto
Fato é que ele entrou nos meus dias e não tenho idéia de quem é ele.

Eu e ela

Aprendemos á dançar
Dançávamos juntos
Eu segui carreira
Ela também
Nunca mais Dançamos juntos nova-mente

Fotografia de paixão e o caminho

Quase todo estudo demanda um esmero que encadeia um aprofundamento onde a paixão inicial, causada pela imagem, seja ela concreta, abstrata ou imaginária e fantasiosa; revela-nos um apuro.
Poética
Caminho do amor
Fotografia de paixão é a junção de um todo pelo estudo da imagem, transpondo o véu que sobrepõe o caminho do amor
A paixão nasce assim
O momento
A cumplicidade
O acaso
Seja como for é importante que a paixão venha nascer
E quem sabe pode acontecer numa fotografia de paixão o passeio pelo caminho do amor

Construções por processo

Conexões “definidas” e resultantes das (os) trocas/relacionamentos físico/mental e espiritual/perceptivo num encontro social alimentado de encontros não marcados, processando o que chegará ao externo (ex) pelo interno (in), in pelo ex, in pelo in ou ex pelo ex , visto ou reconhecido pelo vivenciador ex ou in, da forma ( dá forma), como se desenvolve a vivência ou sem forma. Tratando-se de um olhar individual que se forma ou deforma numa dupla que caminharão juntos no decorrer desse processo tanto existencial/humano quanto fator criador/tradutor, traduzindo o coletivo e o individual. Onde entre todos esses valores o que nos unirá será a troca de possibilidades infinitas, sem reservas e determinismos finitos em si mesmos.
Uma única arte feita por artes únicas.
Brincar criando e criar brincando com a sensibilidade natural de um compartilhar de histórias dos agentes internos e externos.
Aprenderemos nos despedir de maneiras variadas.
Quem sabe se será um final? Porque não “uma boa noite”, um “beijo”, “obrigado”, “forte abraço” ou "um cheiro bom” para todos!

Só, sinto e/ou devaneio?

Posso esperar e ir mas não quero ir só
Por isso já esperei só
Só, é algo que me atrai
Por não se esgotar
Amigo próximo á distância
Culpa sua, culpa minha.
Existe muita culpa no que não precisava
Será que precisava para que não sentíssemos mais culpas?
Culpas que não sentimos mais

=

Diferença
Demônio da discordância na falsa concordância diplomática
Diabo de nome que a mim parece ser usado para dizer de maneira aceitável para muitos outros e para nós que somos melhores
Anjo de luz caído da glória
Lúcifer das convivências, conveniências e convergências
Iluminando ao meio dia e escurecendo á zero hora
Me abate e me constrói
Me devora por querer á todo momento querer

Te procuro ter sem procurar por você

Que loucura
Esse amor é doido demais
Ta certo, eu me rebelei
Te deixei depois de tanto te querer
Agora te procuro ter sem procurar por você
Na verdade eu minto
Quando em tudo busco beleza e harmonia, força na fragilidade
Busco outro relacionamento como o nosso
O que não tínhamos
Porque todos os meus relacionamentos se projetam em tudo que fomos
A culpa é sua e minha
Vamos ser generosos um com o outro
Eu quero você
Agora você pode ir.

Quando chega a hora

Você assusta, mas logo familiariza.
Senti o abraço escorrer pela pele e depois acender um cigarro torna-se inevitável
Fuma, bebe, beija, borra, se joga.
Reprime-se e se imprime numa história estonteante de desejo
O sorriso deixa de ser pseudo pra ser verdadeira mensagem de amor
Transcende, ultrapassa, esfola, incomoda, apazigua, abstrai e dá sentido.
Antagoniza e iguala
Da leveza caminhamos pro peso insustentável do ser, do vivenciar e experiênciar
Ignoro
É quando mais dou importância
Importo e desloco, me desloco.
Me aceito sem ser
Você não mostra e eu vejo
Eu me escancaro e não me enxergo
Percebo o indizível e digo: Não sei o que sou
Vazio e só, sorrio
Ouço: Sabe o que mais gostei em você?
O seu sorriso
Deixou de ser aparência
Passou a ser gosto, desejo, foco de apreciação.
Simplesmente, um sorriso.
Você não pega, vê.
Não ouve, senti.
Envergonhar-me de querer, pegar e ouvir é me envergonhar de gente, de beijar, elogiar, de falar, de escrever e escolher amar.
Uma dose me atrai
O contrário me repele
Deitar e sentir-se á dois
Eu fico todas as vezes que saio
Quando a hora chega
Eu saio todas as vezes que eu fico.

Do trem vejo a Ibituruna

Pego-me observando um pico onde o meu olhar se abre
A queda é maior
A experiência de se entregar ao vento se torna mais transformadora
Acentua-se a infância
Conflito das minhas potencialidades, forças e poderes com minhas fraquezas e impotências naturais. Lembro-me de ouvir a mãe e o pai dizerem que quando menino falo como menino, hoje, enquanto homem devo falar como homem.
Não me esqueço da criança que usa os poderes do outro, o apoio das coisas e das idéias de sua cultura que não se calam
Treinado á não me assustar com o susto
A adequar nossa realidade com o que é socialmente ético.
Pensar numa resultante da organicidade
Vida sincera, verdadeira e essencial
Inquietação com o que foi acumulado, elaborando um olhar generoso e verdadeiro para sí e o meio
Observando o pico
Me pego.

Branco olhar de boné e cueca

Na observação que confronta na impossibilidade da separação acomodo-me e me inquieto num lugar peculiar que expressa melhor a nossa beleza
Beleza da humanidade que há em nós
Junção do que fomos com o que estamos, chegando próximo da sensação do que é tirar as calças, o chinelo e a camisa e depois de contemplar a grandeza do rio, me jogar só, com o boné vermelho e a cueca branca, nas águas
O vermelho pelas mortes que vi, vi para chegar até aqui
Também pelas paixões e amores que somaram durante o caminho do prazer de me descobrir amando a vida
O branco pela paz
Divino e transcendental.

Lanchonete

Transitar nos pólos e nos meios
Sugiro render
A começar de mim
Na volta podemos ter outras trocas
Quem sabe falar dos acolchoados dos braços dos bancos da lanchonete
De um ambiente para ler e escrever com livros expostos e disponíveis
Um ambiente onde se experiência pela boca
Sem encontrar a palavra
Por não existir
Por não conhecê-la
Limito-me ao abrir
Abro-me ao limitar
Na gratidão do corpo...

O nada

Nada aceitar
Ao acaso ficar
Sem nada
Entender
Perder-me
Sem você
Posso até aceitar
Entrega sem reserva preciso já
Impossível acreditar
O outro está aí pra me mostrar
É preciso ser criança e sem pressa consciente me lançar

Susto

Fantasma
Um instante de dor
Um sentimento de medo
Uma foto