quarta-feira, 10 de julho de 2024

Alto Jequitibá

    Ruas estreitas. Pracinha com uma igreja no meio e mais à frente o colégio interno da cidade onde eu passara ser o mais novo morador.
    Durante minha moradia no internato eu não tinha autorização pra deixar de ser interno. Por isso, busquei soluções para resolver minha prisão integral dentro dos seus muros. Comecei a fazer aulas particulares com minha professora do primário, em sua casa, que me garantia sair uma vez por semana do internato. Pedi autorização para ir à igreja aos domingos pela manhã. Quando estava na quarta série eu aproveitava que caminhávamos em fila até a escolinha que ficava no final da rua e, desobedientemente, escapava da fila por instantes de brincadeira, ao fugir de um colega, correndo atrás dele ou pulando nos portões das casas dos outros. Sempre dei preferência aos portões que ficavam do outro lado, além de não ter muita graça ficar na fila, a casa da professora ficava do outro lado e sempre que passávamos era motivo para eu pular em seu portão e perguntar quando iríamos tomar um café. Um dia desses em que tive aula particular ela cumpriu a promessa de me fazer um café. O que descobri, também, foi que ela socava o café em casa.
    Fui conhecendo mais seu lar, andando pelos cômodos e descobrindo um quintal ao fundo no qual tinha um pedaço de tronco de madeira grosseiramente lapidada, com um formato oval em cima. Ao lado do tronco tinha um pedaço de madeira fino, cumprido, com uma ponta grossa arredondada. Perguntei o que eram aquelas madeiras e ela me disse que era o soca dor de café. Me ofereci para socar, sem saber que é necessário ter braços fortes. Definitivamente, eu não tinha força para o que o peso daquele soca dor e a necessidade de movimentos repetidos exigiam. Passados alguns minutos eu perguntei quem socava o café pra ela e descobri que morava sozinha e fazia todos os serviços da casa, incluindo socar café.  Fomos beber o café na cozinha, onde ela guardava um bule miúdo. Parecia peça de decoração, mas, ela utilizava como recipiente do café. A casa e os objetos revelavam seu gosto. Decoração mais artesanal, preparo manual, simplicidade e coisas miúdas. Para uma pessoa só e que, aparentemente, não recebia muitas visitas era suficiente. Cheguei a pensar no Ricardão da minha sala, aluno do internato como eu. Ele me disse que gostava dela. Ela podia namora-lo escondido pra animar mais sua rotina. Apesar de ter gostado muito da casa, eu fiquei imaginando que ficar sozinha deve ser entediante e perigoso, afinal, quem poderia defendê-la, caso invadissem sua casa?
    Passado algum tempo ela começou a ir muito arrumadinha, repetindo frequentemente a mesma calça jeans. O Ricardão ficava louco com essa calça jeans muito apertada que ela usava. Sempre chamei a atenção do Ricardo para que parasse de fazer piadas dela e por isso, também, nunca o recomendaria como namorado. Mas, assumi uma postura mais flexível depois de visitar sua casa e observando melhor suas reações às brincadeiras do Ricardo. Havia um "permitir-se" nela, num leve sorriso lateralizado e um andar mais insinuante. Incluindo algumas idas, demoradas, dele ao banheiro no momento em que ela me deixava explicando matéria no quadro e saia da sala de aula. O Ricardo, do jeito que era, não perderia a oportunidade de conhecer o bule da professora e suas coisas miúdas. E, diferente de mim, ele tinha braços pra socar o café com aquele soca dor. Por causa de certo confinamento vivido pelos dois, sendo ela em sua casa e ele no internato, pensei que um relacionamento entre eles poderia ser um bem recíproco. Apesar de ser proibido que internos namorassem.
    Em função de um confinamento tão cheio de regras, o desejo de fuga era comum nos internos. Um aluno que morava a 14 anos lá me confessou que já tentara fugir inúmeras vezes, mas, pelo fato de o diretor conhecer toda a região, ele e todos que haviam tentado sempre foram pegos em alguma cidade vizinha. Quando me falou que morava a 14 anos lá, fiquei pensando nos motivos pelo qual estava ali por tanto tempo. A família não gostava dele, ele fez alguma coisa muito ruim, seus pais não tinham tempo pra cuidar do filho. Por isso, perguntei sua idade e segundo os meus cálculos, quando chegou no colégio ele era dois anos mais novo do que eu. Comecei a ficar cada vez mais curioso em descobrir o real motivo de estar ali por tanto tempo. Como a maioria dos internos, ele não gostou das minhas perguntas e me mandou sair de perto indo jogar vôlei. Sinceramente falando, minha preocupação em saber o motivo era descobrir se ele tinha envolvimento na decisão de quem o colocou ali ou se foi uma decisão sem sua participação. Acentuou minha angústia ao pensar que eu também corria o risco de ficar ali por tanto tempo. Considerando que pessoalmente eu não havia feito nada que justificasse meu confinamento. Não enviei vídeo para ser selecionado para o confinamento como o fazem na televisão, logo, não me inscrevi espontaneamente. Depois de sondar sua história com alunos antigos, incluindo o Vice diretor, me entristeci ao ver tristeza em seus olhos e a relutância em falar sobre o assunto, resolvi deixar o segredo guardado com ele. Na verdade, talvez ele nem soubesse. Tanto tempo internado me parecia punitivo e uma não justificativa injusto.
    Eu nunca pensei em fugir. Até porque não via nenhuma possibilidade. Depois que o skatista fugiu, isso mudou. Na quadra de esportes no pátio do internato ou na pracinha, ele vivia o tempo todo em cima do skate. Numa segunda feira, quando voltamos do colégio, o comentário era a fuga do skatista. Todos se perguntavam: Como ele fugiu? Ouvi dizer que ele aproveitou o sábado que ficávamos na pracinha da cidade, ao lado do internato, e foi andar de skate. Driblando os olhares vigias ou acordado com eles, pegou a saída da cidade e entrou numa estrada intermunicipal, deslizando sobre as rodinhas do skate para bem longe. Imaginei ele andando de skate na estrada, correndo em máxima velocidade ao encontro de qualquer lugar que não fosse Alto Jequitibá. A velocidade, os carros passando ao lado do skate, ele andando ora no asfalto ora no acostamento, o vento nos cabelos ao olhar pra trás constantemente pra ver se o estavam seguindo, o barulho das rolagens. Imagens recorrentes na minha mente. Entendi porque os correios entregaram uma caixa com rodinhas novas para o skate e, também, o fato dele ficar na quadra mexendo e remexendo em seu instrumento vários dias antes da fuga. Acredito que, dias antes, ele estivesse preocupado com a estabilidade, a potência, aumentar o controle nas curvas e no deslocamento do centro de gravidade do shape para o lado de fora da curva, certamente passaria por muitas. Precisaria correr muito e se sentir estabilizado tempo suficiente para garantir que chegasse numa outra cidade. Torci para que não parasse na redondeza pois, correria o risco de algum conhecido do diretor desconfiar que se tratava de uma fuga de mais um interno e não ter sucesso. Os dias se passaram e nunca mais vi o skatista. Não se tinha notícias do final da história. Começaram rumores de que ele talvez tenha sido pego e diretamente entregue aos pais. O que é difícil de acreditar. O diretor não perderia a oportunidade de trazê-lo ao internato para que todos o vissem arrumando as malas e saindo cabisbaixo em direção ao portão de saída principal. Para corrigi-lo, infelizmente, envergonhando-o. Ouvi histórias de que esse diretor, em outros tempos, se visse alguém na quadra com a calça jeans furada, ele enfiava o dedo no buraco e puxava o tecido, terminando de rasgá-la completamente. Depois berrava aos quatro ventos: Olha sua calça toda rasgada, seu desmazelado! Ridículo! Vai trocar essa calça agora! Eu, pensando que, talvez, se tornara uma pessoa melhor, posso crer que tenha entregue o skatista aos pais sem fazê-lo passar por uma vergonha grandiosa diante dos outros internos na tentativa de mostrar quem tem poder. Quem é frágil.
    Após minha aula de piano, aproveitei o tempo que me restava antes de voltar para o internato. Motivado pela fuga do skatista e pelo perfil do nosso diretor, ao invés de voltar eu peguei uma estrada de asfalto e caminhei incansavelmente durante horas. Desconsiderei o tempo. Buscava experimentar um pouco do que acreditava ter vivido o skatista. O prazer de ser livre. Experimentar a liberdade do vento batendo no meu rosto ao andar pelo asfalto, seguindo em frente. Fui atingindo um estado eufórico onde podia gritar, pular, correr, ser expansivo, grande e exagerado. Ao final, fui imaginando que se eu fugisse, minha mãe seria chamada. Eu sabia que ela não tinha condições de vir. Quem pagava o colégio era o meu pai. Depois que minha mãe se casara com outro homem, meu pai biológico apareceu no primeiro ano de casamento em época de páscoa com dois ovos de chocolates enormes para mim e outro para minha irmã. Depois só soube notícias dele na separação da minha mãe, porque ela pediu que pagasse o colégio interno. É possível que sua aparição na páscoa tenha ligação com sua curiosidade de homem trocado. Apesar que, ela o deixou por uma traição amorosa da parte dele. Minha mãe não admitira para si retomar a vida de casada com ele depois de flagra-lo na cama com outra mulher. Por isso é difícil para mim falar com exatidão sobre quem trocou quem. Deduzi que minha mãe, para vir ao colégio interno, pediria carona a desconhecidos, como fez da última vez. Correria altos riscos para uma mulher jovem, bonita, mãe e solteira. Decidi voltar. Não queria ser um problema pra ela e nem a colocar em tamanha vulnerabilidade.
   
No internato era uma história embolada na outa outra.

O skatista
O piquenique no topo da montanha.
A caminhada pensando em fugir.

O Internato

   Eu olhava, pela janela do carro, o mato na lateral da estrada que segue para a cidade de Manhuaçu, passando rapidamente na frente dos meus olhos. Buscava captar algum sinal de como poderia ser o lugar para onde me levavam. O frio na barriga aumentava a sensação de não pertencimento do lugar de saída e do lugar de chegada.
    Meus pais conversavam sobre quem recomendou o colégio interno e o quanto seria bom para minha educação ter horários definidos para acordar, ir à escola, fazer dever de casa, comer, brincar e dormir. Concordavam que naquele momento um colégio interno era o melhor para mim. Meu medo crescia a cada palavra e o verde horizonte não me dava nem uma pista de como era o meu destino. Bois, vacas, bezerros e cavalos pastando. Riachos, montanhas e boiadeiros. Mesmo as paisagens, comuns á estrada que eu fazia com meu pai no caminho pra roça aos finais de semana, não me acalmavam.
    Pode ser por reflexo de sua própria angústia que minha mãe interrompe meu estado contemplativo e tenta tranquilizar-me, dizendo:
    -Nós só vamos conhecer o lugar, tá!?
    -Meu pai continuou:
    -Mas você vai gostar! Viu!?
    Viu o quê? Gostar do quê? Conhecer o quê?
    Tive que aproveitar a "deixa" e perguntar:
    -E seu eu não gostar?
    Talvez, fosse melhor ficar calado porque as respostas me induziram á interpretação do momento em que viviam na relação dos dois e suas intenções a respeito do Juninho, ou seja, eu.
    Meu pai pontuou:
    -Você vai gostar.
    Reforçando a castração.
    Eu sabia que ele não era meu pai biológico e que estavam em processo de separação, mas isso não diminuía o meu respeito e amor por ele. A separação configurou uma perda que me atingiu diretamente como filho. Foi como uma bomba com um marca tempo que corre lentamente, na verdade, rapidamente mas em câmera lenta.
    Com a minha percepção de tempo e espaço alterados eu buscava no verde horizonte a razão do meu medo. Foi a perder-me de vista num verde crescente e predominante, que ouvi a voz do pai me acordando para irmos à fazenda. Eu odiava acordar cedo. Ainda não gosto, principalmente por um motivo que não me atraía. Mas, ele me perguntou no dia anterior se podia me chamar e eu disse sim, então, fiquei pensando que poderia repetir e lançar um - ah, pai! Tô com preguiça! E foi aí que me lembrei da manhã tranquila da fazenda, do pão de queijo e dos biscoitos que a vó fazia no fogão a lenha. Num pulo me levantei.
    -Me espera pai que já vou.
    Nesse dia eu recebi minhas primeiras instruções de motocicleta. Ele me colocou pra pilotar, atendendo meu pedido insistente. Já na estrada pra roça, acelerei e direcionei a moto para a direita, nos colocando em cima de uma concentração de areia. Já é possível prever o que ocorreu. A moto derrapou e quase caímos. O que me rendeu algumas gargalhadas, uma chamada de atenção e uma retomada da pilotagem com a ajuda das suas pernas, maiores que as minhas, estabilizando a direção. Apesar de ele ter feito o trabalho braçal, eu fiquei com o mérito da retomada. Eu aprendi a pilotar uma moto. Um presente de pai.
    Na fazenda eu alimentei minha memória num rico ambiente de cheiros, aromas, paladares e afetos. Pela manhã eu levava uma caneca com farinha de milho pela metade, amarelinha, para o meu avô no curral. A minha avó me entregava a caneca e eu levava por um caminho cheio de bostas do gado. Algumas ainda moles e quentes. Me desviar delas significava assumir o risco de pisar nelas. O que aconteceu algumas vezes, me levando a procurar os estercos para pisar em solo firme e subir nas cercas do curral para entregar a caneca pro meu vô. Ele dizia que era forte por causa daquele hábito. E ordenhava a vaca direcionando o leite para a caneca. Depois de enchê-la com o leite que sai na hora da teta da vaca, ele bebia tudo com uma boca boa, quase num gole. Antes de me entregar a caneca, entre o penúltimo e o último gole, ele pronunciava um comentário de praxe:
    -Êh, trem bão sô!
    Isso, quando ele não me pedia pra deixar a caneca pra beber mais depois. Eu voltava pra cozinha com a sensação de dever cumprido.
    Ao voltar da fazenda para a casa na cidade, eu gostava de contar os "causos" para os meus amigos. Como o dia em que caí do cavalo e o dia da morte da novilha. O caso da novilha chocou os meninos. Dia triste pelo erro do meu avô que ao querer vender a novilha ouve do vaqueiro:
    -O sinhô num tá venu que ela tá prenha?!
    Meu avô resolve tirar a prova e diz ao vaqueiro que quem vai avaliar a "bichinha" é ele.
    -Deixa que eu tiro a prova e não venderei se ela estiver prenha. Disse.
    Ele nunca tinha feito esse procedimento. Normalmente era o vaqueiro que fazia. Assim decidido, eu me coloquei curiosamente atrás deles para ver. Já posicionados no curral, começou a introduzir o braço inteiro na vagina da novilha. Era perceptível o sofrimento. E estava demorado porque o vaqueiro falava:
    -Ande logo cum isso sinhô. A bichinha tá sufrenu!
    Ao final do parecer do meu avô, ficou entendido que a novilha não estava prenha e poderia ser sacrificada para a venda. Imagino que o dinheiro deve ter sido grandioso.
    No outro dia acordei e vi que avô entristecido na cozinha durante o café. Fui em direção ao celeiro e no caminho encontrei o vaqueiro que me informou o que ele já desconfiava. A novilha estava prenha. Chegando próximo ao celeiro a vi estendida no chão, e do seu lado um feto já formado. Tirei o chapéu, fiquei olhando fixamente para o feto durante um bom tempo e perguntei para o vaqueiro:
    - Posso ficar aqui?
Ele respondeu:
    - Sinhôzim, se ocê quer, é Craro que pode. Mas eu tenho pra mim que isso num é pro cê. Eu sentei e ele sentou-se ao meu lado.
   
A viagem para o internato
A roça
A novilha e o feto
O vaqueiro

sábado, 9 de dezembro de 2017

Outros...
Volte sempre para me abraçar
Eu preciso de um abraço
Eu gosto de abraço

Volto sempre por um abraço
Não me embriago mais com bebida
Escolhi o abraço para me embebedar

Sigo tonto
Sigo bêbado
Tenho pouco e tenho muito
Perpasso e transito de braços abertos

As flechas, todas, vêm certeiras bem no meio do meu peito
Umas furam, umas amassam e outras me traspassam
De olhos fechados sempre as vejo voando na minha direção 
Chegam sem que eu saia do lugar

Porque quero senti-las
Porque quero redirecioná-las
Com isso quase morro
E renasço



sábado, 23 de janeiro de 2016

Embriago-me

Outros...



Embriago-me fácil
Nu urbano, nu mar, nu rio, nu alto, nu troço, nu querer.

Embriago-me fácil
Nu ouvir, nu contar, nu olhar, nu dormir.

Embriago-me fácil
Nu ser, nu festejar, nu viajar, nu tocar, nu beijar.

Embriago-me fácil
Nu dançar, nu ernesto, com ernesto.

Embriago-me nu!
E é ótimo!

E é uma delícia!

Coisas miúdas

Outros...
Tenho a sensação de que agora é um tempo de pressa
Talvez, á nossa semelhança
Ela vem carregada de sentido
O tempo rápido
O tempo calado
O tempo obstinado
Com esses métodos pode ser que seus sentidos sejam exterminados pelo tempo
Porque a pressa, antes de qualquer outra coisa, é movimento acelerado
Visível ou camuflado
É um risco para os que seguem
Na força híbrida e subversiva da arte contemporânea, eu quase me convenci de que movimento não está ligado á dança, apesar do meu corpo, minha mente, gritarem para não me entregar a essa idéia
Com uma dança tão cheia de pressa e de sentido
O movimento é óbvio, o risco é óbvio.
O mesmo diria sobre a vida, sobre o sugerido em seu álbum de coisas miúdas.


sexta-feira, 4 de julho de 2014

Escória

Encosto da escória
Encosto que incomoda
Moda de escória
Encosta em qualquer costa que escora
Um dia sou encosto
Outra escória
Um dia sou costa
Outra moda

Minha professora de ciências não me in-comoda
Me fascina o seu ó redondo
Que me comoda
Me leva a comprar um caderno de caligrafia
É óbvia sua moda

Todos querem ter ó que a-comoda

É seu aniversário
No internato interno me exploro

Pelo seu aniversário posso sair para ver o o sol que me acorda
E é ali, em fila
Com garotos da minha idade que bebo do seu ó
Redondo e bom
O ó me in-comoda

Não ouço, nem cheiro
No dia da professora que me tem

Vou embora bêbado
E sou castigado pelo diretor do inter-nato

Só porque em tenra idade in-comoda se entreter com o ó que me explora
Revela escória

O pavilhão do castigo se apaga
E choro com dor na costa que encosta em qualquer moda

sábado, 30 de março de 2013

Peles Pele

Me pego repetidamente
Num relance de sensações do que significa ver com os sentidos
Percebo coisas que só a pele pode ver
Outras que só os olhos podem sentir

Mas para que isso aconteça é preciso estar disponível
A qualquer momento
Em um outro lugar

Nos momentos mais que mágicos
Peles
se tornam
Pele

Diamantina

Guerra e força
O lado ativo
Brusco, grosso, perigoso

É tranquilinha
Me passa paz
Delicadeza
De um bom viver

Dia mantina
Lugar de sonhos
De pedras brutas
De cores brancas

São as belas brutas rochas diamantinas
Que mostram um pouco mais de mim
O meu outro

Meu convíveo antagônico
Vi e senti
Forte é o interior
Fora de mim

Estou em Diamantina
Sou Diamantina 

sexta-feira, 29 de março de 2013

Uga Uga

Fico na angústia da mais primitiva ansiedade de saber da nossa identidade enquanto “nem amigos e nem amantes”...

Brinco de papéis

Brinco de desenho
Rasga fácil
Cabe rascunho de desenho
Lembro notícias do vovô
Branco é pra mim seu presente. Rasga fácil. Cabe rascunho.
É pra ele, seu passado pontuado
Brinco branco
Seu presente brinco de desenho. Uma mensagem, quase ameaça.
Tem parábola, tem prosa, mas o fim é sempre assim.
Brinco e tu? Brincas
Toco e tu? Tocas
Canto e tu cantais
Olha esses papéis, essas lembranças, essas notícias
Papéis registram minha exposição
Lembro notícias do vovô
Papéis
Digam-lhe que brinquei
E até dancei
Papéis Digam-lhe que ele não tinha razão
Todos sabiam, mas, não queriam brincar
Os que mais amo já dançam.
Deixo-lhes os papéis para que vejam e também para os deixar
Papéis até onde vocês foram sórdidos?
Contem-nos
Papéis de rascunho fácil
De desenho
De... Brinco.

Diluiu

Perdeu-se na figura arquitetônica que organiza o ser
Numa assimetria que tem seu início na anomia de uma identidade que rompe em liberdade em tempos retidos
Diluiu
O sentido do concreto 
Fizeram-se ondas que posso tocar, escorregar e olhar num imaginário ondular
Ao que se permite, um manifesto dos sentidos convida no risco que corre arrisco.
O desconhecido de uma identidade que alcançou autonomia e tem como aliada a liberdade que desenha mais um risco em busca de conhecer, não como, objeto obstinado a revelação diluída do concreto.

Café com letras, vinho e queijo

Da taça que FINCA e do tomate que é seco para o pão de queijo (MG) o convívio com aqueles que preferem Brioche (De queijo Brie, do norte francês)
Ao amanhecer um brinde com suco de sabor á gosto
Amanhece o início de novos jogos e o fim do tomate seco da noite anterior
Foi a noite e foi você
Culpados pela nossa sedução, porque a sedução nunca sentiu culpa
Culpa sinto eu senti você, algumas outras, poucas pessoas, talvez.
É como o medo de se apaixonar, nem todo mundo tem
É como a chave da porta esquecida longe, nem todo mundo esquece
É como o homem que entregou a senha para o teatro, nem todo mundo esquece.

Meu canto

Meu desatino não vai passar, meu desafino
Ativo meu desafino pois sou fino, de ressonâncias agudas, inovadoramente volumosa, longa e de Permanência inquestionável
Desafino-me
Me desatino

O encanto da falta

Busquei no encanto da falta entender a falta de encanto na busca. Assim, encantei-me com o desencanto e conheci as conseqüências de conhecer o encontro e o desencontro. Munido de algumas defesas que pela fragilidade do ser traduzia o quanto estava sem guarda. Se me valesse mais dos sistemas da física ou química, talvez, me precavesse sem pré-ceder. A passagem enfatiza-se fato a cada momento. Seja ele longo, curto, finito ou infinito. Em todos os sentidos das palavras Aqui escritas, declamadas, dançadas, musicadas, trocadas, subentendidas, Aqui só e só aqui sentidas.

Amanhã

Disponível pela manhã
À tarde, insaciável.
À noite, inalcançável.
E pela madrugada ir-reconhecível.
Tens o privilégio da escolha

Caminhar

Estamos em direções transversais, já passamos do ponto de encontro, estamos quase nas extremidades. Parece que gostamos de descobrir o caminho, de uma pureza de intenção, de uma brincadeira de emoção. Sentimentos vãos. Vazio de insatisfações. Transversos e extremos. Fuga do ponto de encontro.
Penso nas motivações, antes, não voltaria
Penso na pureza de intenção, na brincadeira de emoção do retorno, cheio dos mistérios que existem em torno do revisitar
Estamos em direções transversais, já passamos do ponto de encontro
Parece que gostamos de descobrir o caminho
De nos encontrar no caminho

Miau

Leiloem-me
Quem der mais me leva, se for mais que o tanto que me dei.
Já que querem, ganhem às minhas custas, comam com o meu desgaste, bebam do meu suor
Já que querem, mimam os gatos
Meus gatos!
Eles arranham qualquer um que se aproxima bruscamente
Comida deixada em casa e sobre a mesa eles não comem
Isso, não porque estão sem fome. Meus gatos não se desagradam da vida em absoluto
Obsoletos, incertos, charmosos em presença e/ou com presentes, dos quais, ora indiferentes ou alheios
Já que querem, tentem entrar no livro de recordes, se existir um
Se é que alguém tenha sobrevivido a um arranhão do olhar de um só gato meu
Façam leilões, afinal, um só gato meu precisa se distrair na minha presença
Porque comigo... eu não gosto de animais
Já que querem, leiloem os meus gatos
Leiloem-me
Antes, cortem as minhas unhas e arranquem os meus olhos.

Morro da saudade

Subo e desço
Fortaleço músculos sem fortalecer aquele da saudade
Aquele que é vital
Quase morro no morro
Ofegante te atendo por um instante de saudade
Na subida e na descida
Quase morro

Espanha que me tomaste

Meus céus!!! Onde estão?!
Espanha que me tomaste e me embebedaste e me mostrastes o morro onde morro de saudades!
E "bebo do" de esperança entre o vazio das certezas chamadas incertas verdades evacuadas por mim, resta-me o morro, subir e/ou descê-lo quantas vezes necessário se tornar em mim.
Repetida saudade traduzida na metáfora do morro alto e irrequieto.
Meu morro, morro meu, escapa-me os pés do teu chão por um inexistente céu e uma espanha que espanta qualquer bêbado como eu do seu chão.
Voltarei ao inicio de tudo pra rever as primeiras pegadas mesmo que tenha que me arriscar á torcer o pé direito novamente.

Palácio das Artes

As luzes e as águas se misturam com o azul que se refletem nos raios assimétricos do concreto branco com vidros presos por metais.
É muito material-matéria para tamanho prédio. É muita informação para só um prédio. Que encerra suas atividades porque precisa de janeiro estar em férias e, quem sabe, construir com madeira pra conhecer cupins ao invés de ferrugens e descobrir que cupins não entram em toda e qualquer madeira e que palácio sempre teve festas com anjos traquineiros, sejam eles de que matérias forem, principalmente, aqueles que as artes se encontram, aqueles conhecidos como palácio das artes.
Não palácio das matérias ou artes de palácios.
São artes de madeira, de luzes, águas, raios, assimetria, concreto, vidro, metais, tamanho, informação, atividade, reflexo, ferrugem e de cupins.
 “Com carinho escrevo ao Palácio das Artes. Lugar que tanto amo”.

Ela

Eu gosto dela em tamanha distância, mas, não gosto de tamanha distância dela

Premiação

No presente de quem recebe ela se torna um presente de valor inestimável.

Dança da pressa

As pessoas estão com pressa, eu estou sem
Eu estou com pressa, as pessoas estão sem
Temos pressas diferentes, sentidos diferentes.
Faz parte da diversidade, não só a diferença
Todos são pessoas, ao menos os que trato aqui
Todos sentem pressa, ao menos os que trato aqui
Existe o desigual no meio de tantas diferenças
Existe a arte no meio, nas margens. Que peca se exalta a diferença e limita se o foco obstinado for o igual No mundo onde ser igual aumenta a concorrência, o grande lance é ter diferencial
Isso é pra poucos iguais
Essa pressa eu reconheço em mim, sofro sua pressão todos os dias
Só não sei se tenho pressa ou se respondo á sua pressão como espasmos traduzidos
Poderia considerar só a minha etnia, ela é diferente das outras, pra poucos iguais, isso gera menos concorrência ou uma tecnologia que conecta todas as pessoas do mundo numa mesma Linguagem
Universalizar as culturas, isso combate o dês-igual
Mas, nenhuma dessas pressas tenho
Isso, não reconheço em mim
Não vou exterminar da face da terra as outras etnias, já tentaram fazê-lo
Isso, não reconheço em mim
Não vou diminuir a desigualdade, os governos tentam fazê-lo
Tenho pressa em não ter tanta pressa
Esse lugar não reconheço em mim
Não confunda essas palavras com inaptidão para o cunho social, consideração humana, participação política ou fazer do nosso lugar comum possível de transitar, trocar, respeitar e conviver.
Não ter tanta pressa limita com o foco obstinado
Deslocado do igual para ter diferencial
As coisas que comecei falando são tão importantes quanto as do meio e do final
Hitler, Mussolini, Lula, Fernando Collor, Mãe Diná , Stanisláwisk, Montaigne
A pressa era comum á todos, á semelhança deles
Ela vem carregada de sentido
O tempo rápido, perdido, que não se pode permitir perdê-lo
O tempo calado, obstinado
Com esse sentido seus métodos recebem significados, evoluem para signos, chegando em discursos
Com esse sentido seus métodos podem se diluir no tempo evoluírem para signos chegando em discursos Nulos
Com esse sentido é possível que seus métodos sejam exterminados pelo tempo, é possível que o positivismo encarado por eles no início tenha se tornado negativismo, porque a pressa é antes de ser outra coisa: Movimento acelerado, visível ou camuflado 
O movimento da pressa é um risco para os que o seguem
Movimento intenso de aniquilação do que vemos nas representações que fazemos do real

Ela é linda

Eu estava sentado
Minto
Eu estava de pés no balcão encantado com o lugar
Pedi um chopp, acendi o cigarro e acreditava...
Minto
Lembrando-me do momento, eu nem pensava em acreditar, eu estava nostálgico!
Mentira
Eu precisava estar ali.
Minto
Novamente eu acho, hoje, que precisava
Eu estava envolvido
Ela é linda
Não dá pra explicar
Sobre ela eu minto, as palavras mentem sobre ela ou subvertem a verdade ou a mentira
Se você ouvir um som, algo que o transporte e que te faça perceber o lugar onde está agora como nunca foi perceptível pra você, talvez isso explique o que estou tentando explicar
Talvez isso te faça mentir pra você
Mentira
Ninguém gosta de mentir pra sí
Então, talvez você minta pra mim
Pode acontecer...
Mas, como eu estava dizendo:
Eu estava sentado, quero dizer, de pés no balcão
Aff!
Será que eu estava sentado? Será que ela realmente é linda? Será que é ela?
Eu enxergo mas não tenho certeza
Eu que pensei que isso fosse acontecer daqui a muitos anos
Você ri, não é?! Pode rir, porque isso acontecer aos 25 anos é pra rir
É verdade
Só tem 25 anos que minto pra você
Você ri não é?! Pode rir...
Eu agradeço se você tirar o fone do ouvido e me ouvir! 
Eu minto sobre ela e você mente que me ouve
Me conta o que você esta ouvindo!?

Céu da boca

Ver o céu da boca
Da sua boca
Ver os gestos irregulares numa considerada noite regular
Surpreender-me com seus gestos
Assustar-me e reconhecer-me
Perceber que meu corpo sorriu mais que o seu corpo e conseguiu ver por causa do céu da sua boca
Eu vi Boca
Coração Azul
Ramo com flor e folhas
E vi também outros ramos
Uma árvore ainda criança que com corpo de adulto ou corpo grande gargalhava
Como aquela gargalhada gostosa da criança que quase deixa á mostra o céu da boca
Poderia ser diferente se ela, você, a boca e o céu não estivessem lá
Mesmo que á luz de velas
Mesmo pelo fato de todos estarem lá

Mel-odioso

Eu nunca quis ser mel-odioso
Ao olhar pra trás percebi que ao menos em quase tudo havia uma melodia composta onde eu não acrescentei nenhuma nota nova, talvez, algumas ressonâncias
Pensei que isso aconteceu pelo fato de não ter estudado música e percebi que os músicos também não acrescentaram novas notas
Só ao dançar fora da música me senti compondo música
Vi nota nova
Entendi que a música são notas também e que a dança também é música
Descobri-me músico
Descobri-me bailarino.

Ser o quê?

Poucas vezes esperei o final para ser feliz

Paro e danço

Deparo-me com fronteiras que vão além do corpo
Falo sobre o que existe entre a minha ignorância, estupidez, incompreensão verso
Reverência, generosidade e benevolência.
Danço a enumeração dos inconscientes ou danço as singularidades?
Com fronteiras eu danço.

Eu e ele

Ele entrou nos meus dias
Não me lembro ou não quero me lembrar se eu abri a porta ou se ele entrou pelo teto
Fato é que ele entrou nos meus dias e não tenho idéia de quem é ele.

Eu e ela

Aprendemos á dançar
Dançávamos juntos
Eu segui carreira
Ela também
Nunca mais Dançamos juntos nova-mente

Fotografia de paixão e o caminho

Quase todo estudo demanda um esmero que encadeia um aprofundamento onde a paixão inicial, causada pela imagem, seja ela concreta, abstrata ou imaginária e fantasiosa; revela-nos um apuro.
Poética
Caminho do amor
Fotografia de paixão é a junção de um todo pelo estudo da imagem, transpondo o véu que sobrepõe o caminho do amor
A paixão nasce assim
O momento
A cumplicidade
O acaso
Seja como for é importante que a paixão venha nascer
E quem sabe pode acontecer numa fotografia de paixão o passeio pelo caminho do amor

Construções por processo

Conexões “definidas” e resultantes das (os) trocas/relacionamentos físico/mental e espiritual/perceptivo num encontro social alimentado de encontros não marcados, processando o que chegará ao externo (ex) pelo interno (in), in pelo ex, in pelo in ou ex pelo ex , visto ou reconhecido pelo vivenciador ex ou in, da forma ( dá forma), como se desenvolve a vivência ou sem forma. Tratando-se de um olhar individual que se forma ou deforma numa dupla que caminharão juntos no decorrer desse processo tanto existencial/humano quanto fator criador/tradutor, traduzindo o coletivo e o individual. Onde entre todos esses valores o que nos unirá será a troca de possibilidades infinitas, sem reservas e determinismos finitos em si mesmos.
Uma única arte feita por artes únicas.
Brincar criando e criar brincando com a sensibilidade natural de um compartilhar de histórias dos agentes internos e externos.
Aprenderemos nos despedir de maneiras variadas.
Quem sabe se será um final? Porque não “uma boa noite”, um “beijo”, “obrigado”, “forte abraço” ou "um cheiro bom” para todos!

Só, sinto e/ou devaneio?

Posso esperar e ir mas não quero ir só
Por isso já esperei só
Só, é algo que me atrai
Por não se esgotar
Amigo próximo á distância
Culpa sua, culpa minha.
Existe muita culpa no que não precisava
Será que precisava para que não sentíssemos mais culpas?
Culpas que não sentimos mais

=

Diferença
Demônio da discordância na falsa concordância diplomática
Diabo de nome que a mim parece ser usado para dizer de maneira aceitável para muitos outros e para nós que somos melhores
Anjo de luz caído da glória
Lúcifer das convivências, conveniências e convergências
Iluminando ao meio dia e escurecendo á zero hora
Me abate e me constrói
Me devora por querer á todo momento querer

Te procuro ter sem procurar por você

Que loucura
Esse amor é doido demais
Ta certo, eu me rebelei
Te deixei depois de tanto te querer
Agora te procuro ter sem procurar por você
Na verdade eu minto
Quando em tudo busco beleza e harmonia, força na fragilidade
Busco outro relacionamento como o nosso
O que não tínhamos
Porque todos os meus relacionamentos se projetam em tudo que fomos
A culpa é sua e minha
Vamos ser generosos um com o outro
Eu quero você
Agora você pode ir.

Quando chega a hora

Você assusta, mas logo familiariza.
Senti o abraço escorrer pela pele e depois acender um cigarro torna-se inevitável
Fuma, bebe, beija, borra, se joga.
Reprime-se e se imprime numa história estonteante de desejo
O sorriso deixa de ser pseudo pra ser verdadeira mensagem de amor
Transcende, ultrapassa, esfola, incomoda, apazigua, abstrai e dá sentido.
Antagoniza e iguala
Da leveza caminhamos pro peso insustentável do ser, do vivenciar e experiênciar
Ignoro
É quando mais dou importância
Importo e desloco, me desloco.
Me aceito sem ser
Você não mostra e eu vejo
Eu me escancaro e não me enxergo
Percebo o indizível e digo: Não sei o que sou
Vazio e só, sorrio
Ouço: Sabe o que mais gostei em você?
O seu sorriso
Deixou de ser aparência
Passou a ser gosto, desejo, foco de apreciação.
Simplesmente, um sorriso.
Você não pega, vê.
Não ouve, senti.
Envergonhar-me de querer, pegar e ouvir é me envergonhar de gente, de beijar, elogiar, de falar, de escrever e escolher amar.
Uma dose me atrai
O contrário me repele
Deitar e sentir-se á dois
Eu fico todas as vezes que saio
Quando a hora chega
Eu saio todas as vezes que eu fico.

Do trem vejo a Ibituruna

Pego-me observando um pico onde o meu olhar se abre
A queda é maior
A experiência de se entregar ao vento se torna mais transformadora
Acentua-se a infância
Conflito das minhas potencialidades, forças e poderes com minhas fraquezas e impotências naturais. Lembro-me de ouvir a mãe e o pai dizerem que quando menino falo como menino, hoje, enquanto homem devo falar como homem.
Não me esqueço da criança que usa os poderes do outro, o apoio das coisas e das idéias de sua cultura que não se calam
Treinado á não me assustar com o susto
A adequar nossa realidade com o que é socialmente ético.
Pensar numa resultante da organicidade
Vida sincera, verdadeira e essencial
Inquietação com o que foi acumulado, elaborando um olhar generoso e verdadeiro para sí e o meio
Observando o pico
Me pego.

Branco olhar de boné e cueca

Na observação que confronta na impossibilidade da separação acomodo-me e me inquieto num lugar peculiar que expressa melhor a nossa beleza
Beleza da humanidade que há em nós
Junção do que fomos com o que estamos, chegando próximo da sensação do que é tirar as calças, o chinelo e a camisa e depois de contemplar a grandeza do rio, me jogar só, com o boné vermelho e a cueca branca, nas águas
O vermelho pelas mortes que vi, vi para chegar até aqui
Também pelas paixões e amores que somaram durante o caminho do prazer de me descobrir amando a vida
O branco pela paz
Divino e transcendental.

Lanchonete

Transitar nos pólos e nos meios
Sugiro render
A começar de mim
Na volta podemos ter outras trocas
Quem sabe falar dos acolchoados dos braços dos bancos da lanchonete
De um ambiente para ler e escrever com livros expostos e disponíveis
Um ambiente onde se experiência pela boca
Sem encontrar a palavra
Por não existir
Por não conhecê-la
Limito-me ao abrir
Abro-me ao limitar
Na gratidão do corpo...

O nada

Nada aceitar
Ao acaso ficar
Sem nada
Entender
Perder-me
Sem você
Posso até aceitar
Entrega sem reserva preciso já
Impossível acreditar
O outro está aí pra me mostrar
É preciso ser criança e sem pressa consciente me lançar

Susto

Fantasma
Um instante de dor
Um sentimento de medo
Uma foto

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Duo

O conforto das palavras afetuosas é de um prazer embebedecedor que mais representa o véu do equívoco sobreposto em nossa autosabotagem e engano
Camuflagem
Espada de dois gumes afiada dos dois lados, cortando igual e iguais.
Há de se considerar que a camuflagem é fraca e o véu é transparente.